Eurico Gaspar Dutra
16º Presidente da República
16º
Presidente da República
Mato-grossense de Cuiabá, Eurico Gaspar Dutra construiu uma carreira militar sem lances espetaculares até se tornar a figura central do Exército na era Vargas: ministro da Guerra por nove anos, sustentou o Estado Novo, combateu a Intentona Comunista e organizou a FEB que lutou na Itália.
Em 1945, fez a travessia decisiva: articulou a deposição do próprio Vargas e candidatou-se à presidência pelo PSD. Sisudo e mau orador, só deslanchou quando o ex-ditador, das vésperas do pleito, mandou o recado à massa trabalhista: 'Ele disse: vote em Dutra'. Venceu com 55% dos votos.
Presidiu a redemocratização institucional — a Constituição de 1946 — com prática conservadora e alinhamento total aos Estados Unidos na Guerra Fria nascente: cassou o Partido Comunista, rompeu com Moscou e reprimiu greves. O Plano SALTE prometeu saúde, alimentação, transporte e energia, com execução parcial.
Entregou a faixa em 1951 ao mesmo Vargas que ajudara a derrubar — num rito de normalidade rara na história nacional — e recusou-se depois a apoiar o golpe contra o rival. Morreu em 1974, general legalista que serviu à ditadura estadonovista e à democracia com a mesma cara impassível.
Perfil e Trajetória
Formação
Escola Militar do Realengo e Escola de Estado-Maior.
Línguas
Principais feitos
- Organizou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como ministro da Guerra
- Governou sob a nova Constituição de 1946
- Iniciou a rodovia Presidente Dutra e o Plano SALTE
Outros cargos públicos
- Ministro da Guerra (1936–1945)
Títulos e honrarias
- Marechal do Exército
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Sua agenda pessoal era regrada pelo 'livrinho': a Constituição, que exibia dizendo governar 'conforme o livrinho'.
Proibiu o jogo no Brasil em 1946, fechando cassinos da noite para o dia — Copacabana nunca mais foi a mesma.
A esposa, dona Santinha, era tida como conselheira influente e devotíssima — o casal ia à missa diariamente.
Getúlio, seu ex-chefe e depois rival, votou nele em 1945 com a frase que decidiu a eleição.