Junta Governativa Provisória de 1969
Junta Militar (Aurélio de Lira Tavares, Augusto Rademaker e Márcio de Sousa Melo)
Quando o AVC afastou Costa e Silva em 31 de agosto de 1969, a Constituição determinava a posse do vice-presidente, o civil mineiro Pedro Aleixo — que havia se posicionado contra a edição do AI-5. Os ministros militares o ignoraram: Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa Melo (Aeronáutica) assumiram coletivamente o comando do país.
Constituiu o único período republicano em que o Brasil foi chefiado formalmente por um colegiado militar tripartite. Em sessenta dias, a Junta produziu atos de força: outorgou a Emenda Constitucional nº 1, reformulando e centralizando a Carta de 1967, e baixou a Lei de Segurança Nacional, prevendo penas de morte e banimento perpétuo do território nacional.
Enfrentou a ação de maior impacto da guerrilha urbana: o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick. A Junta aceitou as exigências dos sequestradores e libertou quinze presos políticos que foram enviados ao exterior, endurecendo logo em seguida as medidas de exceção com os Atos Institucionais 13 e 14.
Declarada a vacância definitiva com o agravamento de saúde de Costa e Silva, a Junta coordenou a escolha sucessória no Alto Comando das Forças Armadas e transmitiu o poder ao general Emílio Médici em 30 de outubro de 1969, encerrando o interregno mais atípico da República.
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
O Brasil teve, por dois meses, três presidentes simultâneos — assinaturas triplas em cada decreto.
A Junta editou uma Constituição inteira (a EC nº 1, de 1969) sem nenhum voto parlamentar.
Trocou quinze presos políticos pelo embaixador dos EUA — a primeira negociação do tipo na história do país.
Rademaker, um dos três, 'promoveu-se' a vice-presidente do governo seguinte.