D. João VI
Príncipe Regente e Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
D. João VI não nasceu para reinar: era o segundo filho de D. Maria I e só se tornou herdeiro com a morte do irmão. Assumiu a regência em 1792, quando a mãe foi declarada incapaz, e governou Portugal espremido entre a Inglaterra, sua aliada histórica, e a França revolucionária e depois napoleônica, que exigia a adesão ao Bloqueio Continental.
Em novembro de 1807, com o exército de Napoleão às portas de Lisboa, tomou a decisão mais audaciosa da história da monarquia portuguesa: embarcou a corte inteira — cerca de 15 mil pessoas, arquivos, biblioteca e tesouro — rumo ao Brasil. Nenhuma outra metrópole europeia jamais se transplantou para sua colônia.
Instalado no Rio de Janeiro, inverteu a lógica colonial: abriu os portos às nações amigas (1808), permitiu manufaturas, criou o Banco do Brasil, a Imprensa Régia, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico e as primeiras escolas superiores, e em 1815 elevou o Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves. O Rio tornou-se sede de um império euro-americano.
Pressionado pela Revolução Liberal do Porto, regressou a Lisboa em 1821, deixando o filho Pedro como regente — e, diz a tradição, o conselho profético de que tomasse para si a coroa do Brasil antes que um aventureiro o fizesse. Morreu em 1826; o período joanino é hoje entendido como a gestação do Estado brasileiro independente.
Perfil e Trajetória
Formação
Educação palaciana; segundo filho, não foi preparado originalmente para reinar.
Principais feitos
- Transferiu a corte portuguesa para o Brasil (1807–1808), caso único na história
- Abertura dos portos às nações amigas (1808)
- Criou o Banco do Brasil, a Imprensa Régia, a Biblioteca Real e o Jardim Botânico
- Elevou o Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves (1815)
Outros cargos públicos
- Príncipe Regente de Portugal (1792–1816)
Títulos e honrarias
- Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
A travessia de 1807-1808 embarcou até os arquivos do reino e a Biblioteca Real — 60 mil volumes que ficaram no Brasil e originaram a Biblioteca Nacional.
Adorava música sacra e mantinha no Rio a melhor capela musical das Américas, com o Padre José Maurício.
A lenda de que embarcou às pressas comendo frango guardado nos bolsos é apócrifa, mas eternizou-se no imaginário popular.
Foi aclamado rei no Rio de Janeiro em 1818 — a única coroação de um monarca europeu realizada fora da Europa.