Ernesto Geisel
29º Presidente da República
29º
Presidente da República
Ernesto Geisel, filho de imigrantes alemães de Bento Gonçalves, personificou o oficial estrategista e administrador: primeiro colocado no Realengo, ministro do STM e presidente da Petrobras. Alinhado ao grupo castelista, chegou ao Planalto em 1974 com a diretriz declarada de conduzir a abertura política de forma 'lenta, gradual e segura'.
No front econômico, enfrentou o choque internacional do petróleo com o audacioso II PND: financiou a expansão da infraestrutura industrial, iniciou a hidrelétrica de Itaipu, criou o Proálcool (marco mundial em combustíveis renováveis), firmou o Acordo Nuclear e modernizou polos industriais, arcando com o custo de um grande endividamento externo.
No front político, travou embates decisivos contra a linha dura: demitiu o comandante do II Exército após as mortes de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho no DOI-CODI e exonerou o ministro Sylvio Frota, que tramava contra a transição. Quando contrariado pela oposição do MDB, contudo, recorreu a instrumentos autoritários, como o fechamento do Congresso no 'Pacote de Abril' de 1977. Em dezembro de 1978, revogou formalmente o AI-5 e restabeleceu o habeas corpus.
Articulou a posse de seu sucessor João Figueiredo e permaneceu como figura de consulta militar até falecer em 1996. A historiografia o consagra como o mandatário autoritário e nacional-estatista que impôs ao próprio regime o desmonte de sua engrenagem repressiva.
Perfil e Trajetória
Formação
Escola Militar do Realengo (artilharia) e Escola de Estado-Maior — primeiro da turma.
Principais feitos
- Revogou o AI-5 e restaurou o habeas corpus (1978)
- II PND: início de Itaipu, criação do Proálcool, acordo nuclear e polo petroquímico
- Iniciou a distensão política "lenta, gradual e segura"
Outros cargos públicos
- Chefe do Gabinete Militar
- Ministro do Superior Tribunal Militar
- Presidente da Petrobras
Títulos e honrarias
- General de Exército
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Era chamado de 'alemão' no Exército e atendia com um lacônico 'pois não' que gelava interlocutores.
Luterano, foi o primeiro presidente não católico do Brasil.
Fumante inveterado em privado, evitava rigorosamente ser fotografado com cigarro — controle de imagem raro para a época.
Demitiu o poderoso ministro Frota por telefone, com o Alto Comando já convocado — o 'frotazo' durou uma manhã.