João Figueiredo
30º Presidente da República
30º
Presidente da República
João Baptista de Oliveira Figueiredo, carioca e filho de general atuante na Revolução de 1932, acumulou o primeiro lugar em todas as escolas militares que frequentou. Chefiou a Ajudância de Ordens de Médici e o SNI sob Geisel, sendo o escolhido para concluir a transição rumo à normalidade democrática.
Assumiu em 1979 e cumpriu passos decisivos da abertura: sancionou a Lei da Anistia (que permitiu o retorno de exilados políticos e garantiu salvo-conduto recíproco a agentes do Estado), restaurou o pluripartidarismo com a extinção do bipartidarismo e restabeleceu as eleições diretas para governadores em 1982. Enfrentou atentados terroristas da linha dura militar, como a bomba do Riocentro em 1981, episódio que o governo arquivou sem punição aos envolvidos.
A economia, no entanto, entrou em colapso: atingido pelo segundo choque do petróleo e pela disparada dos juros globais, o país mergulhou na crise da dívida externa, vivendo três anos de recessão severa (1981–1983), desemprego em massa e inflação anual superior a 200%. O desgaste estimulou a mobilização das Diretas Já em 1984; a emenda foi derrotada no Congresso, mas a dissidência política elegeu o civil Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.
Desgastado e isolado, recusou-se a transmitir a faixa a Sarney e deixou o Planalto discretamente, falecendo em 1999. Último general-presidente, encerrou os 21 anos do regime militar deixando a vida partidária restaurada, porém com um país em profunda crise econômica e fiscal.
Perfil e Trajetória
Formação
Escola Militar do Realengo — primeiro colocado em todas as escolas militares que cursou.
Línguas
Principais feitos
- Sancionou a Lei da Anistia (1979) e restaurou o pluripartidarismo
- Restabeleceu as eleições diretas para governador (1982) e concluiu a transição civil
Outros cargos públicos
- Comandante da Ajudância de Ordens da Presidência
- Chefe do Gabinete Militar
- Chefe do SNI
Títulos e honrarias
- General de Exército
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Declarou preferir 'cheiro de cavalo a cheiro de povo' — e passou a vida tentando explicar a frase.
Sofreu infarto no cargo e foi operado nos EUA; o vice Aureliano Chaves foi o primeiro civil a exercer a presidência desde 1964.
Recusou-se a passar a faixa a Sarney e saiu do Planalto pela porta lateral, pedindo: 'Me esqueçam'.
Era filho de um general que pegou em armas contra o governo em 1932 — rebeldia que ele reprimiu nos outros.