Mem de Sá
3º Governador-Geral do Brasil
3º
Governador-Geral do Brasil
Jurista formado em Salamanca e desembargador da Casa da Suplicação, Mem de Sá pertencia à elite letrada portuguesa — era irmão do poeta Sá de Miranda — quando foi nomeado, já sexagenário, terceiro governador-geral do Brasil. Assumiu em 1558 uma colônia ameaçada por dentro, pelas guerras indígenas, e por fora, pelos franceses instalados na Guanabara.
Governou com rigor de magistrado e pragmatismo de general. Pacificou o Recôncavo Baiano, protegeu os aldeamentos jesuíticos de Nóbrega e Anchieta e organizou as expedições que desalojariam a França Antártica — na segunda delas, em 1565, seu sobrinho Estácio de Sá fundou São Sebastião do Rio de Janeiro.
Em 1567, o próprio Mem de Sá comandou a batalha final que expulsou os franceses, consolidando o domínio português sobre o litoral sul. Seus catorze anos de governo — o mais longo do período colonial — deram à colônia estabilidade administrativa inédita e selaram o eixo Salvador–Rio de Janeiro.
Morreu no cargo, em Salvador, em 1572, pedindo repetidamente à coroa uma substituição que nunca chegou. A historiografia o trata como o consolidador da América Portuguesa: quando partiu, a presença lusa no Brasil já era irreversível.
Perfil e Trajetória
Formação
Direito pela Universidade de Salamanca (Espanha).
Línguas
Diplomou-se em leis pela Universidade de Salamanca, na Espanha, em 1528 — casa cuja instrução jurídica se dava em latim — e serviu como desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação a partir de 1532. Deixou o Instrumento de serviços (1570), relato de seu governo à Coroa portuguesa.
Principais feitos
- Governo-geral mais longo do período colonial (14 anos)
- Expulsou os franceses da baía de Guanabara (1567)
- Fundou, por seu sobrinho Estácio de Sá, a cidade do Rio de Janeiro (1565)
Outros cargos públicos
- Desembargador da Casa da Suplicação, em Lisboa
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Era irmão do poeta Sá de Miranda, um dos maiores nomes da literatura portuguesa do Renascimento.
Assumiu o governo por volta dos 60 anos — idade avançadíssima para os padrões do século XVI.
Escreveu à coroa pedindo substituto ao menos cinco vezes; morreu no cargo esperando a resposta.
Perdeu o filho Fernão, morto em combate contra os franceses, e o sobrinho Estácio de Sá, fundador do Rio, flechado na batalha final da Guanabara.